Viajar com filhos e um caos instalado.

Viajar com filhos é muito giro, muito enternecedor e dá fotografias lindas de família. Contudo, é uma canseira dos diabos. A julgar pelo título sensacionalista parece que vai sair daqui um desastre total. Mas não, desenganem-se. Na realidade o caos instalado refere-se, somente, à minha cabeça. O resto até se faz. Ela é que sinto à beira de uma síncope sempre que tenho que me ausentar de casa.

Passo a explicar.

A primeira viagem que fizemos com o miúdo, embora muita gente me tivesse considerado e chamado louca, foi a Amesterdão. Ele tinha completado quatro meses e meio nessa semana. Na verdade, tive algumas dúvidas sobre o que podia ou não transportar na mala de cabine (o que varia em função da companhia aérea), levar ovo ou carrinho de passeio e os custos de despachar esse trambolho, quantos pacotes de fraldas (87 ou 93?!?) deveria levar comigo, sobre se seria prudente expor o miúdo a aviões e ares condicionados e o que levar para vestir, uma vez que Junho é um mês incerto. Mas lá fomos nós e correu lindamente. Tive foi que despachar uma mala gigante e o carrinho de bebé e o preço disso dava para levar uma babysitter. Tinha sido melhor investimento.

Agora, a preocupação deixou de ser o meu oufit, antes pensado cuidadosamente em função dos roteiros – era uma desocupada – e passou a ser fazer listas e quadros em Excel, capazes de orgulhar qualquer programador, sobre o que transportar, onde e como.

A verdade é que isto cansa. É uma logística do caraças e quem tem miúdos pequenos sabe que se queremos estar num local às duas temos que nos começar a despachar ao meio dia. Logo eu que me levantava dez minutos antes da hora de entrada no trabalho e por isso é que chegava sempre atrasada (desculpa João se me estás a ler! Espero que isto melhore no futuro, pelo menos agora tenho quem me desperte às 7 da matina).

No fundo, e passados 7 meses, já fomos também uma semana para Évora, outra para o Algarve e um fim-de-semana grande para Coimbra e sobrevivemos. Eu, com muito menos concentração e rapidez de raciocínio, porque de cada vez que saio de casa morre-me uma parte do cérebro de tanto me esforçar para não me esquecer de nada.

Viajar com miúdos implica:

– Antever reais cagadas que obriguem a mudar a roupa sete vezes ao dia;

– Ou antecipar o número que trocamos as t-shirts babadas que ensopam o peito, o pescoço, as orelhas e os pés. Sim, os bebés metem os pés na boca e até isso fica capaz de lavar quarenta e três vezes ao dia;

– Contar fraldas descartáveis e de pano, dosagens de leite, calças, casacos e camisolas, chapéus para o sol, para a chuva e para o mais ou menos;

– Levar ginásio para se deitar, manta para rebolar, varinha mágica para fazer a sopa, caixas para a guardar no frigorifico, geleira pequena para lanches, manta não vá estar fresco à noite, Bem-u-ron não vá ter febre, bebé gel não vá ficar preso, meias que podem ser úteis durante a noite, uns setenta brinquedos aos quais ele não vai ligar nenhuma porque só os morde e manda fora, papa e iogurtes e fruta capaz de cozer ou cozida.

Cansados? É que posso continuar? A lista parece que não tem fim.  E no meio de tudo isto ainda tenho que me lembrar de levar o pai. E a mala dele, que fica sem cinto, meias e até cuecas se eu não me certificar que lá está tudo dentro. Perdoa-me a franqueza, mas sabes que é verdade.

Em suma, é muito giro, mas muito muito cansativo. A não ser que tenhamos uma casa de férias num monte qualquer no Alentejo que esteja já devidamente equipada e seja só seguir caminho. Mesmo assim, corremos o risco de a viagem no ovo/cadeira ser uma luta que nos obriga a ir a ouvir músicas parolas no youtube e a cantar como uma aberração durante duas horas. História da minha vida no regresso de Coimbra. Ele pára de chorar, uma vez que eu a cantar faço qualquer birra, dor ou queixa, fugir.

Mas, no fundo, há que não desistir! A cada viagem, ou mini-viagem de fim-de-semana, levo menos tralha e a coisa melhora. E a verdade é que a cada uma que fazemos custa um bocadinho menos. E podemos sempre levar Xanax, dormir durante dois dias e deixar o pai ocupar-se do resto. Espero que ele não se esqueça de lhe meter fralda! É que depois a roupa que eu, matematicamente calculei ser necessária, não chega!

Ser mãe cansa. E isto vai durar cerca de vinte anos? Depois, duvido que ele queira ir de férias comigo!

 

 


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