Devaneios às cinco. E um acordar deste blogue.

São cinco da manhã e eu estou toda nua sentada à secretária. Primeiro, porque está um calor dos diabos. Segundo, porque gosto de dormir nua independentemente da estação do ano. Isto faz gelar os braços, e outras partes do corpo, no Inverno, mas eu gosto de me sentir viva. E puxar o cobertor passa a ter outro significado e sentido. Adiante. Estou sentada à secretária, porque acordei há coisa de uma hora com a cadela da vizinha que não para de ladrar. Parece que vive na minha cozinha. A cadela da minha vizinha chama-se Diana. Tal qual a minha prima pequena de três anos. Isto faz com que eu me sinta sempre estranha e a trair a criança quando me dirijo à cadela, embora, confesso, às quatro da manhã «Diana» é o último dos nomes que me ocorre chamá-la. Há um leque de coisas impróprias que vêm primeiro na lista.

Depois de ter escrito quatro textos mentalmente, o que me acontece muitas vezes nas minhas interrupções de sono e me obriga a ter um caderno à cabeceira, porque há sempre ideias que temo que se percam entre sonhos, decidi levantar-me. Mais valia escrever tudo já não fosse a manhã, que deve começar daqui a uma hora e meio visto que tenho um filho de quase sete meses, apagar-me a cabeça. Também me acontece muito. Não tomar notas a tempo e a manhã apagar-me a cabeça. Depois, ao acordar, fico cerca de dez minutos, menos, agora, porque o Frederico é um louco desvairado com fome, a tentar lembrar-me de tudo aquilo que magiquei meio a dormir meio acordada. Mas, adiante, uma vez mais.

Escrevi, ou pensei, como queiram, sobre a Licença Alargada. Uma questão que me tem sido frequentemente colocada. Perguntam-me como funciona, porque razão optei por ficar mais meses em casa e como consigo comer com a miséria que o Estado me paga. Na realidade as pessoas não perguntam esta última, mas pensam. Fazem aquele olhar de esguelha e comentam, depois de eu virar as costas «Ela deve ser louca. Ou rica», mas vamos fingir que perguntam e não que se atiçam, para isto ser mais cordial e pomposo. Portanto, tema número um: Licença Alargada.

Logo de seguida e sem razão muito aparente ou lógica, escrevi um texto sobre o último livro que acabei de ler e que me anda no goto há dois dias. Foi daqueles que levei para a cama, para a mesa da cozinha, para a praia, para todo o lado. Devorei-o em dois dias e até odiava a personagem principal. Uma vez que ler este livro se assemelha a ver um filme pornográfico, isto alegrou muito o meu marido. Desculpem, às cinco da manhã tenho menos filtros. E sim, sou mulher. E sim, sei o que é a pornografia. Choquem-se. Portanto, tema número dois: Crítica Literária «A Cadeira Preta»;

Logo de seguida, e porque uma coisa leva à outra, na realidade não leva mas às cinco da manhã isso pouco importa, lembrei-me de um outro tema que considero interessante. Digam-me que não se for mentira, mas, na altura em que fui a Amesterdão tive muitas dúvidas e esclareci outras, sobre Viajar com Bebés. Ou, talvez, primeiras viagens com bebés. Tema número três?

Depois, pensei, só porque sim, que me apetecia falar sobre a vaidade que sinto quando me lembro que escrevi um livro. Isto porque ontem entrei na Feira do Livro da Ericeira e dei de caras com a minha tromba escarrapachada à entrada. Andei de peito cheio lá dentro, qual pavão, à espera que me reconhecessem, mas isso não aconteceu. Também só lá estavam três pessoas o que me torna menos infeliz. Também andei a passear o livro como se fosse muito interessante e a ler a sinopse em voz alta para chamar a atenção e tentar arranjar clientes. Não, não fiz nada disto. Mas pensei que o podia fazer. Às vezes é difícil controlar a minha cabeça. Mas estava vaidosa, porra, também posso. Tema número quatro: Escrever um Livro. A propósito, já tinha contado que vem aí um segundo? Espero não me arrepender de estar a tornar isto público, mas são cinco da manhã, por isso que se lixe.

Por fim, e já chega, como vêem a minha cabeça funciona muito bem no turno da noite, lembrei-me também desta coisa que é o «Elo das Mães» ou, quiçá, a «Aliança da Maternidade». Puxa, soa mesmo bonito. Eu explico. Há uma série de pessoas no meu Instagram que não conheço de lado nenhum. Nunca vi mais gordas. No entanto, se as encontrar amanhã na rua, vou falar-lhes como se fossem minhas amigas de infância. Isto porque temos em comum esta coisa de termos sido mães, ou termos estado grávidas na mesma altura. Cria-se um elo. Uma coisa claramente maternal, que com os pais certamente não acontece pelo menos que tenha conhecimento, que é a partilha de fotos dos filhos com meses e frases patetas e babadas, de experiências da amamentação, do parto, com tudo o que tem de horrível, de dúvidas, receios, ou somente palavras de apoio. Depois de ter contado a história da pele atópica do Frederico, senti, ainda mais viva, esta aliança. As mulheres sabem ser umas cabras invejosas, é verdade, mas também sabem unir-se na dor. Mais na dor que na alegria, é verdade e uma pena, mas eu sou uma crente e espero que isto mude. Acredito que tem vindo a mudar. E isso dará um outro texto. Tema. O que queiram. Mas o Elo das Mães parece-me bem.

São cinco da manhã. A Diana calou-se e fica aqui isto. Uma panóplia de ideias sem ligação que, no entanto, pode vir a resultar em alguma coisa de jeito. Talvez depois de um café. E também decidi que vou manter o blogue mais vivo. Mesmo que isso implique disparar, uma série de vezes, uma quantidade de idiotices ou coisas com as quais as pessoas não concordem. Sempre tive algum receio da crítica. Não gosto muito que façam julgamentos à minha vida e opções. No entanto, perdi a vergonha aos vinte e sete e acabei de me assumir toda nua ao computador. Depois disso, vale tudo. Também quero mais interactividade e partilha. Quem quiser escrever e colaborar com isto, sinta-se livre para me mandar textos, ideias, o que quiser. Publico e partilho como sendo da vossa autoria. O que achar interessante e adequado, claro. Não me interessa muito saber o que vestiram ontem ou  comeram ao pequeno-almoço. Absolutamente nada contra quem escreve sobre isso, mas cada macaco no seu galho. Estou uma dinamizadora nata, às cinco. O Pedro vai ficar orgulhoso quando acordar.

E desculpem ter começado o texto com a história do nudismo. Bateu-me a vergonha e vim acrescentar este parágrafo, em vez de apagar o primeiro. Talvez não tenha sido a melhor forma de começar isto, sobretudo se forem seres tão imaginativos quanto eu. Ou talvez até tenha, admitam. Pelo menos no cartaz da Feira do Livro até estou bonita. Perdoem-me. A culpa é do tal livro.

Usei uma fotografia do Frederico para acompanhar este texto, porque já percebi que ele tem mais fãs que eu. Talvez assim mais gente abra isto. Não faço a coisa por menos.

Agora, vou comer. Pensavam que era dormir, mas há prioridades.


3 Comentários
  • Sofia Filipe
    Agosto 23, 2018

    Tenho pena que não tivesses publicado antes como uma foto tua, nua, teria certamente ainda mais fãs. 😉 Tens a certeza que não tinhas bebido? Se o teu cérebro é assim sóbria, imagina se estivesse a viajar num mar de álcool?

    • Susana Amaro Velho
      Agosto 23, 2018

      ahaah eu não bebo precisamente por essa razão!

  • Raquel Coelho
    Agosto 24, 2018

    Buahahahah !! Olha bem preciso de me rir hoje que os nervos teimam em instalar-se e não me deixam respirar tão bem. Só por isso já agradeço! Somos parecidas até nisso, a diferença é q eu não tenho um caderno, até pq neste momento não tenho mesa de cabeceira em detrimento do Next 2 me lol
    És a melhor, e sim anda vaidosa porra, todos os dias. Orgulha te de tudo o que já conaeguiste e tudo o que está por alcançar. És linda.
    Ah e tbm faço parte desse grupo q vive na miséria da alargada. E acho q sou mais louca q rica, q riqueza aqui só de espírito!
    Beijinhos grandes
    Ainda aceito o teu convite 😉

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