Sobre a maré anti-bloggers/influencers: um não aos Velhos do Restelo.

Sigo uma série de bloggers, e agora digital influencers, no instagram. Nunca tive a pretensão de me tornar uma. Não porque não gostasse de o ser, uma vez que até adoro fotografia, moda, comida e viagens e vivia facilmente de e para isso, mas simplesmente porque quando criei um blogue o fiz com o objectivo único de escrever. De lá ser o que me apetecesse. Sendo alvo de censura, é claro. De opiniões contrárias às minhas, obviamente. Mas também de palavras de incentivo, que muito me envaidecem e têm dado alento para continuar. Dei a conhecer um lado até aí um tanto ou quanto guardado numa gaveta, mas, na verdade, criei um blogue somente para fazer aquilo que gosto. Escrever. Longe do propósito de influenciar quem quer que seja.

 

Elas/eles, provavelmente, assim começaram. Dando somente asas e espaço a paixões pessoais e acabando por tornar estes conteúdos virais, formando opiniões e tendências. 

 

Existe por aí uma maré anti-bloggers/influencers, que acusa quem expõe a vida, a casa, os filhos, a gordura ou a magreza, os produtos que usa ou publicita. E isto irrita-me. Irrita-me, porque há anos atrás também não existiam informáticos a desenvolver aplicações, motoristas de UBER   ou operadores de drones. Os tempos evoluíram. A vida não anda, corre. A partilha de conteúdos e o viver disso pode ser um passatempo ou, se assim o decidirem, uma forma de sustento. A jeito de profissão principal. E há quem acompanhe, quem leia, quem se reveja e quem se sinta melhor por isso. Por existir quem mostre a perna com celulite. Por existir quem dê conselhos sobre as estrias na gravidez. Ou, ainda, por existir quem mostre o filho tão difícil de nascer, porque veio ao mundo através de tratamentos de fertilidade. Isto numa versão mais humana, porque existe a comercial. Porque estas pessoas são excelentes meios de difusão de marcas, quando têm um público largo e fiel. São óptimas comunicadoras e duvido que exista melhor meio publicitário, mas, para isso, devem ser pagas. Porque é um trabalho como tantos outros e não se sobrevive a comer perfume oferecido. E acho que isso deve ser sublinhado. É um trabalho. Deve ser remunerado. Não se vai ao médico e deixa uma caixa de pastéis de nata a jeito de pagamento. A era da troca directa acabou há largos anos. Inventou-se uma coisa chamada dinheiro.

Vivemos na época digital. E não me pintem ou tirem razão com o argumento de que todas estas pessoas só são felizes nas fotografias e na exposição que fazem na internet. É um trabalho como tantos outros. Onde se procura estar bem, mostrar o melhor lado e, quando assim se justifica e decide, partilhar a intimidade se esta não entrar no foro (demasiado) privado. Nunca vi ninguém partilhar um velório. E ainda bem. Escolhem o que mostram. Não é um gestor quem define de que modo gere a sua empresa? O seu negócio? E não tenta, também ele, que tudo esteja claro, funcional e até bonito aos olhos dos outros? Onde é que reside a diferença?

Eu cá gosto de as/os ver. Felizes e contentes no Alentejo. Com filhos maravilhosos a crescer e que acompanho desde que eram amendoins nas barrigas. A partilhar restaurantes que, depois, e se assim me interessar, gosto de ver pelos meus olhos. E boca. São uma espécie de guia. O que vestir, onde ir, o que comer. Mais fácil que comprar uma qualquer revista mensal que não terei tempo de ler. E,  aqui, escolho o que vejo. O que leio. É uma profissão do futuro. Vivemos na era da partilha e da exposição. Que se lide com esse facto.

E podemos sempre seleccionar a opção «Não seguir» quando estamos fartos. Tal como podemos continuar a usar o Táxi.


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