ser Mãe é ser Medo.

Ser mãe é ser medo. Em tudo, é ser medo. É temer as primeiras semanas de uma gravidez. Os meses indefinidos de novos sentidos. É ter dores de parto muito antes. E durante. E depois. É dar uma mama de alimento, com os olhos que choram por um corpo que se adapta e, nem sempre, responde. É ser inteiro, mesmo que despedaçado. Porque ser mãe é ser presente. E é ser dor. Tanto quanto é ser medo. É, desde o seu início, emprestar o coração. Ou doá-lo eternamente. É ver um filho crescer com o pulmão cheio. Como se o ar fosse inspirado. Só. Sem nunca chegar a ser plenamente extraído. Ser mãe é ser caminho. É ensinar e orientar. É o colo e o conforto nas noites mal dormidas. É a calma, a paciência e a resiliência. É a frustração da primeira cólica, a ansiedade do primeiro dente e do primeiro dia de escola. Primeira mágoa quando o colega ofende e quando o amor adolescente lhe faz frente. Ser mãe é embalar e aconchegar. A roupa da cama e a roupa de inverno. É contar histórias e fazer-se história. Ser mãe é ser coragem. Audácia. É ser temerária e capaz. É arregaçar mangas. Ser mãe é, tantas e não raras vezes, ser também pai. Ser mãe é libertar. Saber entregar ao mundo o filho que não é só nosso. É deixar crescer. E amar tanto que chega a doer. Ser mãe é perdoar. É ser antiquada, injustiçada e a má da fita num filme que é a vida. Porque ser mãe é impor. E impor é dificil. Mas ser mãe é, depois, ter razão. Mais tarde, ser razão. Com o passar dos anos, é dar a mão. E ser mãe é eterno. Ser mãe é ser medo. Tantas vezes em segredo. E é amor. Crescente. Por um pedacinho de e da gente.

(Ser mãe é também escrever. Às três da manhã e só com meio olho aberto)


1 Comentário
  • Elsa Bento
    Março 20, 2018

    Que lindo minha querida GENRA 😊😍😘

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