as novas linhas.

Hoje, às cinco da manhã e depois de adormecer um filho que teimava em parecer uma coruja, dei por mim a construir histórias imaginárias, a visualizar paisagens e famílias sentadas à mesa, a recordar episódios de infância que me apetecia transpor para o papel. Não me sentei a escrever porque a cabeça fazia efeito mola, mas o carburar de ideias ainda me deixava mais desperta. Não acontecia há uns meses. Isto de agarrar no telemóvel e despejar uma lista de tópicos elencados e de personagens a jeito de elenco. Apetece-me escrever. Construir. Imaginar. Dar forma. Temia, até, que isso demorasse a renascer. Nasce um bebé, nasce uma mãe. E perde-se tempo antes livre e desprendido de horas e despertadores. E de choros. Temia, até, que a cabeça cansada me camuflasse a imaginação de outrora. Remota hora. Parece que passaram anos desde que comecei as linhas novas do novo. As primeiras não foram as últimas. Agarrar nisso foi agarrar-me. Nas descrições, no espaço e no tempo. É bom deixar a cabeça voar mesmo que o corpo permaneça deitado à espera do sono. Mesmo que o cansaço dance e o impeça de se instalar. Hoje, às cinco da manhã, e depois de adormecer um filho, ressuscitei um livro.


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