A Cesariana.

Durante a gravidez aprendi que devemos filtrar a maioria das histórias que nos contam e conselhos que nos dão. Isto porque a tendência generalizada das pessoas é relatar detalhadamente as experiências que tiveram, quase sempre, negativas. Perguntam como estás apenas para que possam desfilar um sem fim de exemplos sobre pesos, partos, amamentação, dores e maleitas. Não digo que toda a gente o faça, mas arrisco-me a alvitrar uma percentagem de 80%. O lado bom é que também toda a gente diz que olhamos para eles e esquecemos tudo. E isso, já constatei, é mesmo verdade.

Não vou descrever todo o procedimento cirúrgico e aparato à volta da cesariana, mas convém desmistificar a coisa. Isto porque nem só de experiências terríveis se faz a história.

A cesariana não é o parto ideal, mas quando me perguntavam se tinha um plano de parto, eu dizia sempre que não. E não tinha. Nem expectativas. Pela porta ou pela janela só queria que ele saísse cheio de saúde directamente para o meu colo. Não o embalei ao primeiro instante, nem o vi sair de mim, mas sabê-lo ali saudável foi o suficiente.

Ora, a cesariana dói. Não vou mentir nem ser hipócrita. Os primeiros 3 dias são difíceis  , sobretudo pelo sentimento de impotência. Desatei a chorar, sem vergonha, no segundo dia, porque só queria poder levantar-me, dar colo ao meu filho e maminha, sem que me doesse tudo das costelas aos joelhos. Foi isso que mais custou. Mas, como em tudo na vida, tentei acreditar que aquilo era o pior, que a partir dali só podia melhorar e com muita calma, paciência e amor, fui dando tréguas ao corpo e ganhando força e coragem para me mexer. Sim, porque é preciso coragem.

São 3 dias violentos, mas, quase que por milagre, no dia em que voltamos para casa já não nos custa tanto andar. Já damos passos mais largos e já acreditamos que tudo se vai compor e ao lugar rapidamente, sem parecer que saímos de um episódio do Walking Dead.

Passaram 15 dias. Ainda tenho uma dor na barriga quando faço esforços, mas a cicatriz está impecável. Já recuperei o meu peso e já faço quase tudo. Custam mais as dores de costas, típicas de quem é mãe e vive dobrado. A cesariana dói, não é o parto mais bonito e perfeito, mas não podemos deixar que ela nos derrote, ou contar às amigas, apenas, que foi horrível não nos mexermos. Temos que contar a parte boa. Que tudo passa e que tudo é um exercício à nossa resistência, principalmente a parte do dormir pouco, mas isso dá outro artigo para o blogue.

Ah e mais importante que tudo o resto, seja qual for o tipo de parto ou recuperação seguinte, é sabermos que temos alguém ao nosso lado a amparar-nos e a dar-nos a mão. Não consigo imaginar aqueles 3 dias sem o Pedro ao meu lado. E também não consigo imaginar os seguintes sem a preciosa ajuda da minha mãe. Sou mesmo muito grata à vida por vos ter.

Beijinhos nossos


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