A minha sessão de apresentação. E um dos dias mais felizes da minha vida.

Era uma vez uma menina que andava de bicicleta sem mãos e que tinha sempre os joelhos esfolados. Era uma vez uma menina que inventava histórias, amigos invisíveis, fazia das esfregonas bonecas com cabelos longos e pintava paredes com água. Era uma vez uma menina que brincava às «irmãs» com a prima, sendo que era sempre professora ou escritora, porque tinha que ter muitos cadernos à sua volta, canetas e coisas escritas. Era uma vez uma menina que tinha diários. Caixas com frases e dedicatórias. Postais daqui e dali. Folhas só com uma palavra ao centro, sublinhada e cravada no papel. Desejo. Amor. Sonho. Era uma vez uma menina que queria escrever um livro. E escreveu.

 

O sábado, 25 de Novembro de 2017, foi imortalizado naquela tarde de nevoeiro e cheiro a fumo. Cheirava àquelas queimadas típicas de Outono e o odor confundia-se com o dos papéis queimados, por mim, tantos anos antes. E tantas vezes ao longo do tempo. Tanto projecto decapitado. Tanta folha a arder. Tanto diário rasgado. Mas este sobreviveu. E mostrou-se numa tarde que dentro de quatro paredes se tornou quente e acolhedora.

 

Acordei tranquila. Como se a alma a quem dediquei as minhas linhas e livro me tivesse abraçado de noite e protegido dos medos. Acordei com vontade. Sem receio da plateia e do falhanço. Estas linhas foram (e serão) parte de mim e nunca me encostei à sombra do desconhecido.

 

A casa encheu. Distribuí abraços e beijos e recebi tantos outros. Rostos presentes e contínuos. Rostos mais antigos, revividos. A casa encheu e a minha vontade de ser mais, também.

 

Foi um sábado eterno. Daqueles que se cravam em molduras de prata e que se mostram aos netos. Foi especial. Emotivo. Sincero. Foi meu e de quem o viveu comigo com igual emoção, dedicação, carinho e empenho.

 

Não poderia pedir mais e não poderia ter sonhado com mais. Era uma vez uma menina que queria escrever um livro e apresentá-lo rodeada de amor. E assim o fez.

 

Acho que, a dada altura, disse a frase “Eu não conseguia existir se não existissem as palavras”. E é mesmo verdade. Tão verdade.

 

 

AGRADECIMENTOS

Um obrigada especial ao Pedro pelo amor, apoio incessante, ajuda incansável e por, em tudo nesta vida, me acompanhar. É o meu melhor amigo. A pessoa mais doce, querida e com melhor coração que conheço e eu sou uma privilegiada. Tive tanta sorte em encontrá-lo. Não sabia que as insónias dele acabavam em discursos emotivos, mas estamos sempre a aprender.

Um obrigada ao Vítor Gonçalves, meu editor, que confiou em mim, que acreditou no meu livro e o disse especial e que apoiou todas as minhas ideias para que esta apresentação se tornasse o momento maravilhoso que foi.

Um obrigada à Professora Maria João Filipe pela brilhante apresentação, carinho e palavras bonitas. Continua a ser uma honra ter sido sua aluna e eu não poderia ter escolhido melhor.

Um obrigada à minha prima Joana que, mesmo sem dormir e vinda de um jet lag de oito horas, conseguiu ler uma das cartas da Alice sem adormecer e cheia de emoção na voz. Até me fez pensar «Fui eu que escrevi isto? É muito bom».

Um obrigada à Câmara Municipal de Mafra pela disponibilização do espaço, ao Vereador Hugo Luís pela presença e apoio e à querida Lídia e São. Sou uma chata e elas tiveram imensa paciência comigo.

Um obrigada aos meus pais, mano e avó, por darem aso a todas as minhas tolices, devaneios e histórias magicadas e inventadas ao longo da minha, ainda curta e com muito por contar, vida.

Um obrigada às minhas amigas queridas do coração por serem sempre as primeiras a aplaudir as minhas conquistas. E a nunca me virarem as costas mesmo quando a cortina se fecha.

A toda a minha restante família, presente de pedra e cal.

Um obrigada profundo e sincero a todas as pessoas que estiveram comigo na Casa da Música no sábado. Às que não puderam estar, mas me ligaram, enviaram votos de sucesso e felicidade. Por todas as mensagens carinhosas, comentários, partilhas dos meus textos e fotografias. Por todos os livros comprados e assinados que me fazem delinear já as linhas do próximo.

E, por fim, um obrigada ao meu Avô José Amaro. Vive no meu livro. Em mim. E viveremos, assim, eternamente. Aposto que choraste baba e ranho aí onde estás.

 

Obrigada.

 


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