É menino ou menina?

 

Esta é uma pergunta que persegue as grávidas até que se confirme o sexo. Na minha casa não havia sequer espaço para conspirações até às 12 semanas, porque o Pedro tinha a certeza absoluta do que tinha feito.

– Não te convenças disso. Se chegas lá e é um menino, depois tens um desgosto.

– Isso não vai acontecer. Tenho a certeza.

– E nomes de menino?

– Vamos escolher isso para quê? Não é preciso.

 

Ele tem aquela paixão descarada por meninas, que o deixa com cara de pateta cada vez que passa por uma. Se estamos num sítio público e nos cruzamos com uma miúda pequena é quase certo que ele vai dizer «Olha aquela menina tão gira!» ou «Opah as meninas são tão mais giras!». E, sem grandes surpresas, mal soubemos da gravidez a primeira frase dele foi «Só espero que seja menina!».

 

As preces dele não foram ouvidas.

 

Na Ecografia das 12 semanas a médica apostou todo o dinheiro que tinha na evidência de uma pila. O nosso amigo Rodrigo, obstetra, viu uma imagem da Eco e confirmou que para doze semanas era bem avantajado o miúdo. O Pedro, porém, em vez de ficar orgulhoso porque a criança não herdou aquilo de mim, continuava em orações em silêncio e a mandar-me guardar os talões de tudo o que comprava.

 

Ontem, na Ecografia Morfológica, mal o dito aparelho me acerta na barriga, conseguimos logo ver duas pernas abertas e uma piloca sem vergonhas virada para nós. Parece que estava a dar um recado a alguém.

 

Já cortei as etiquetas da roupa nova e posso começar a decorar a quarto.

 

Vem aí o Frederico. Que de Frederica não tinha mesmo nada.

 

P.S.  – Nunca acreditar na tabela chinesa e no teste da agulha, do garfo, da faca e do faqueiro inteiro. Deu tudo errado.

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