o mar, pela Alice.

O mar. O mar sempre me calou a alma. Com a quietude de ondas brandas, tantas vezes capazes de embalar um corpo que apenas boia. Ondulante. Em silêncio. O mar escuta um corpo que pede ajuda. Traz e leva o impulso de que ele precisa. Tantas vezes foi ele o confidente das dores abafadas, das promessas que te fiz e desfiz, dos pedidos obstinados de uma mãe sozinha. Rodeada, mas sozinha. Nove meses sentada nas furnas. Nas crateras cavadas numa areia banhada a ondas brandas, onde as minhas pernas de varizes marcadas se colam aos grãos grossos. Eu sei que ela é tua. É tua e minha. É nossa, da nossa cabana, dos acordes da tua guitarra e da minha voz estridente que inventa canções. Vem buscá-la. Vem buscar-me. Navega no teu barco a remos tão trémulo e frágil quanto eu. Não deixes que o mar me limpe por inteiro, ou que me deixe a boiar eternamente. 


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