«A Amiga Genial» e uma genialidade intemporal.

Hoje sinto-me numa balança que oscila entre o peso da melancolia e o da satisfação. Acabei ontem a tetralogia «A Amiga Genial» da Elena Ferrante e, como é habitual na minha pessoa, sinto um vazio estúpido dentro de mim. Chorei (claro) a ler as últimas linhas. Aliás, reli umas cinco vezes o capítulo final porque tinha os olhos turvos e li tudo de uma forma galopante que quase me sugava o ar. Não chorei porque o final foi triste ou decepcionante. Chorei porque acabou. E, como em tudo na minha vida que deixa marca, gostaria que esta história se perpetrasse num tempo infinito.

 

Não vou fazer resumos da obra. Não vou fazer uma crítica que conduza ou não à sua leitura. Vou continuar deitada no sofá, com o último dos quatro volumes sobre a barriga, a recordar a história de vida destas duas personagens maravilhosas, que parecem ser parte da minha família. Que viveram comigo nos últimos meses. Que se foram construindo e modificando. Como todos nós, neste processo a que chamam vida.

 

Um livro é bom quando nos faz fechá-lo por segundos e nos permite reflectir sobre aquela frase. Sobre aquela reviravolta. Sobre aquela descrição tão profundamente detalhada quanto viva. Um livro é bom quando nos obrigamos a ler só duas, no máximo três, páginas por dia, porque temos tanto medo que ele acabe. Mas acabou. A história da Lila e da Lenú acabou ontem. Mas, tenho a certeza, é daquelas que, verdadeiramente, viverão para sempre. A intemporalidade é isto.

 

Ninguém sabe quem é a Elena Ferrante, mas eu sei que ela foi, através da sua criatividade, dom, e capacidade incomparável de escrita, a minha verdadeira amiga genial nos últimos tempos.

 

Obrigada. Não me apetece dizer mais nada.

 

“Não tenho saudade de nossa infância cheia de violência. Acontecia-nos de tudo, dentro e fora de casa, todos os dias, mas não me lembro de jamais ter pensado que a vida que nos coubera fosse particularmente má. A vida era assim e ponto final, crescíamos com a obrigação de torná-la difícil aos outros antes que os outros a tornassem difícil para nós.”

 

TETRALOGIA – A AMIGA GENIAL

Volume 1 – A Amiga Genial

Volume 2 – História do Novo Nome

Volume 3 – História de Quem Vai e de Quem Fica

Volume 4 – História da Menina Perdida 


Sem tags 1 Comentário 7
1 Comentário
  • Sonia Inês Silva
    Julho 3, 2017

    E pronto, fiquei com vontade de ler…
    😉
    Bjs para ti Susaninha

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