À minha mãe (outra vez).

É dia da mãe. É um dia igual aos outros. É dia de lhe ligar, de lhe contar o que fiz, de me queixar, de uma forma geral, do tudo de que é feita a vida. De nos rirmos com um qualquer disparate. De partilharmos peripécias no trabalho e planos para o fim-de-semana. É dia da mãe e ela ouve e aconselha e queixa-se e ri, também, do outro lado. É dia da mãe e pertencemos uma à outra. Nas pequenas coisas e nas grandes. Nos dias de verão e de inverno. Todos os dias.

 

É dia da mãe e à minha eu devo tanto. Não me canso de lhe agradecer, de me orgulhar, de a admirar. Num ser tão pequeno cabe tanto amor. No dia em que me deu à luz, sofreu vinte e quatro horas de dores intensas. As que se seguiram não foram menores. Doeu-lhe a cabeça quando parti o braço na véspera de fazer quatro anos. Doeu-lhe o peito quando me diagnosticaram asma. Doeu-lhe o coração quando me partiram o meu. É dia da mãe e, olhando para traz, vejo que a povoei de dores toda esta vida. De preocupações. De anseios e rezas silenciosas para o que o meu caminho se fizesse de tijolos bem erguidos. Cimento do bom. Não somos todos um pouco culpados por as obrigarmos a viver com o coração fora do peito? É dia da mãe e devo-lhe tanto. Devo-lhe uma licenciatura tirada e paga a escadas lavadas ao fim-de-semana. Devo-lhe uma carta de condução que nasceu de um mealheiro. Devo-lhe, sobretudo, o erguer de tantos sonhos. A força, a coragem e a inspiração. A capacidade de nunca desistir, tal como ela nunca desistiu de mim, vivendo escondida atrás de sacríficos que só com a idade e distância acabamos por descobrir mascarados.

 

É dia da mãe e a minha não é melhor que nenhuma outra. Não é a melhor mãe do mundo como é frequente dizer-se. Não é maior que todas as outras, nem do tamanho do céu. É, simplesmente, minha. É um ser humano com defeitos, com qualidades, com crenças e com teimosias. Mas é o meu ser humano preferido. Aquele que tira do prato para me alimentar. Aquele que me embalou nas primeiras cólicas. Aquele que daria a vida por mim. Não é esse o mais bonito e profundo gesto de amor? É dia da minha mãe e a minha é a minha melhor amiga. Não é preciso falar. Não é preciso pedir. Sabemo-nos aqui, com esta cumplicidade que brota dos pequenos gestos e que nos faz saber ler nas entrelinhas.

 

É dia da mãe e a minha faz com que todos os dias sejam dela.

Que nunca me faltem as palavras, porque as mais bonitas e honestas são as que nos descrevem. Juntas.

 

Feliz Dia da Mãe.

 

 


Ainda não tem comentários.

O seu comentário