I fell in Love (again). His name is New York.

Devia fazer um resumo, um roteiro, escrever umas descrições ou adjectivar a coisa de uma maneira supimpa e que venda, não que ganhe comissão, mas porque enriquece qualquer pessoa comprar este pacote. No entanto, deparo-me com dificuldades acrescidas, nomeadamente no que diz respeito à construção da cabeça-tronco-e-membros (que nos vendem na escola como sendo o corpo da narrativa perfeita) e com a escassez de vocabulário adequado. Ou sua insuficiência.

 

Esta viagem teve um princípio: cumprirmos um objectivo comum desde os quase quatro anos em que começámos a construir roteiros juntos. Este é o início da história. Ambos queríamos olhar para cima sem ver o céu, sentir os empurrões nas passadeiras esmagas de peões, comer M&M’s de café, cheescake, doce de leite e cereja. Queríamos isto antes dos filhos. Está feito.

 

O meio faz-se de tardes percorridas e quilómetros insultados de tão extensos. Doíam-me os quadris de andar, o casaco pesava um arranha-céu, os pés ora estavam frios ora queimavam de escaldados. O gorro fazia comichão. O cabelo tinha electricidade. E as fotografias que não corriam como se quer? Enquadramento torto. Mãos frias e um telemóvel que escorrega, que encrava, que fica sem bateria. Sou uma pessoa que se queixa, qual velha rezinga e insatisfeita porque, apesar de feliz, está nesta minha natureza dos Velho o refilar até com o que se sabe certo.  O meio fez-se destes pormenores camuflados que, com o passar dos dias, se tendem a esquecer. Quem são eles comparados com o tanto que se vive, se explora, se descobre, se ri, se emociona? O meio fez-se de prédios altos com vistas de perder o fôlego, um por-do-sol dos românticos, ou não estivéssemos na cidade dos filmes, museus com fósseis e estrelas cadentes. O meio fez-se de um musical. Dei por mim com uma leve dor no maxilar, fixo naquela posição entre um sorriso rasgado e uma boca aberta de espanto. Chicago. Fui a Nova Iorque mas trago o Chicago no peito. O meio fez-se de bairros pintados a tijoleira, com escadas de incêndio e emergência que queremos subir mesmo sem aparente acidente. Fez-se de pontes sobre o rio e estátuas que o vigiam, que celebram a liberdade. Que vergonha passar à porta de Torres onde as baias nos impedem de circular, metáfora do tanto que se quer impedir. O meio fez-se de muitas leituras, muitas conspirações sobre governos e interesses, muitas horas a discutir diferentes ideias e pequenos amuos. Que bom é ter quem não se cale ao nosso lado. Uma discussão sozinho, nunca será uma discussão mas um monólogo.

 

Ai, falta-me tanto do meio. Falta-me explicar o espanto, a incredulidade, a diminuição do ser. Somos tão pequenos, tão reduzidos, tão pouco na imensidão de que se faz o mundo. Não, isto não é ser redutor. É constatar a grandeza do espaço. Da Terra. É constatar que há tanto por conhecer, tanto por onde enriquecer o corpo e a alma. Houvesse mais mealheiros e mais se enriquecia. No meio ficou isto. A certeza da fugacidade, porque ainda ontem era Novembro e planeava em segredo as ruas a percorrer. Porque ainda ontem saltava um bocadinho aqui em casa quando me lembrava da prenda de Natal encantada que havíamos oferecido um ao outro. Porque ainda ontem era uma miúda, apaixonada pelo Patrick Swayze no Ghost e que, por isso, sonhava viver em Nova Iorque.

 

E no fim?

No fim trazemos aquela angústia abafada pelo sorriso que vacila. Nunca queremos que acabe. Nunca queremos fazer o resumo, contar como foi. Queremos viver como foi. E vivemos. Com a certeza de que as palavras não chegariam para dar ainda mais luz à Times Square.

Nova Iorque foi espectacular. Ou inesquecível. Ou arrebatador. Ou esplêndido. Ou estupendo (como utiliza vulgarmente a minha avó sendo a única pessoa que conheço a recorrer a tal adjectivo).

Nova Iorque foi Nova Iorque.

Central Park

 

American Museum of Natural History 

 

Top of the Rock – Rockfeller Center

 

9/11 Memorial and Museum

 

 

Estátua e Ilha da Liberdade 


Times Square

 

 

 

Greenwich Village

New York Public Library 

 

Estação Central 

 

 

Mais sítios e parques e restaurantes e arranha-céus e lojas e tudo

 


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