O meu brinde ao 2016.

2016 levou muita gente. Levou a minha avó. De todos os nomes sonantes que chorámos nenhum se compara ao dela. Maria de Lurdes. 2016 levou algumas pessoas, mas trouxe outras. Trouxe o Francisco e o Ernesto e terá trazido tantos outros filhos a este mundo, no qual temos que continuar a acreditar. 2016 foi o meu ano dos 30. Viajei com as minhas melhores amigas por entre pastagens e palácios que nos tiraram tantas vezes a fala. Algo que, quem nos conhece, sabe ser tarefa difícil e acontecimento raro. Cumprimos a promessa. Visitámos um castelo encantado. Tornámos ainda mais apertados os laços, impossíveis de desapertar. Cada vez mais amarrados. Tão amarrados que quando uma delas ficou noiva eu chorei e disse sim também. Adivinha-se um 2017 cheio de lágrimas das felizes. Cumpri objectivos pessoais há muito adormecidos. Acabei um livro, fechado na gaveta por reler e corrigir há seis anos. Como se fosse possível alguma vez considerá-lo pronto. Mas deixei a minha Alice ir. Finalmente. Há mais gente a precisar de a conhecer. Apostei no meu blogue, filho pequeno que foi lido por mais de 50.000 pessoas. Um estádio de futebol a ler as minhas palavras e frases curtas onde paro, tantas vezes, para pensar. Não agradei a todos, mas um estádio não se faz só de adeptos do mesmo clube. Passeei pela Europa do Leste e li mais e mais, ao vivo e a pisar os mesmos espaços, sobre a paixão eterna que tenho à segunda guerra. Experimentei pratos, degustei sobremesas. Camuflei angústias e tive experiências únicas que não quero repetir. Outras que desejo já ter uma segunda e terceira vez. Partilhei histórias e trago outras na bagagem, primeiro de cabine e agora de porão, que começo a formar no peito. Tirei fotos com a Torre Eiffel e celebrei um ano de casamento tão feliz. Estive em 9 países. Em mais de 20 cidades do mundo. Conheci duas ilhas dos Açores. Uma de mão dada com o amor que escolhi para a vida e outra no colo da minha mãe. Casei um amigo herdado da parte do marido, mas que hoje é tanto meu quanto dele. Tive almoços rápidos, lanches apressados, jantares regados e demorados, com as do costume e com as mais raras, mas ainda assim cumpridoras de promessas. Testemunhei amores acabados, mas planos recomeçados. 2016 foi tanta coisa. Tanta alegria. Tanto sábado e tanto domingo preenchidos de sol, até no Inverno, preenchidos de sol. Fui mais egoísta, talvez, porque pensei tanto em mim. Cumpri tanto por mim. Desdramatizei. Relativizei. Filtrei quem não interessa manter, acolhi ainda mais quem merece o espaço que ocupa aqui. Esses saberão que a minha porta está aberta e que na mesa haverá sempre uma lasanha de atum para os receber. Das boas. Em 2016 servi bifanas sob um calor tórrido, mas de peito cheio por envergar o nome e a terra de onde somos e que nos define como gente. Vila Velha. Será sempre essa a minha casa. Em 2016 fiz tanta coisa, até fiz colares. Ocupei noites a escolher peças e cores e são tantos os pescoços que enfeitei que não há maior retorno que esse. Também eles foram feitos com amor. Esse que cada vez me move mais.  Em 2016 fiz um diário. Tem um 30 na capa, mas foram mais que 30 as páginas e os dias contados. Entre fotografias, bilhetes, mapas percorridos e frases que podem até desaparecer com o tempo, mas que viverão em mim tantos anos, tenho já saudade do que fiz. Do que vivi. Do que guardo para contar. Tantas pessoas. Algumas decepções. Mas, em mim, há cada vez mais clareza sobre o que sou, o que quero e quem quero comigo. 2016 foi tão bom, ainda que teime em acabar com uma gripe. Um dia, vou mostrar o 2016 aos meus filhos, pelas páginas de um diário e pelas minhas palavras. Espero que lidas por mais que um estádio de futebol, nessa altura.

Sou muito grata a quem fez parte disto.

Um obrigada especial ao Pedro. Só ele torna todos, mas mesmo todos, estes momentos felizes. É o meu ano, os meus dias e os meus segundos. É incansável no apoio e tem uma paciência de santo. É o mais perfeito e maravilhoso marido e o meu melhor e mais honesto amigo.

Feliz Ano Novo.

 

 


Sem tags 2 Comentários 21
2 Comentários
  • Anónimo
    Dezembro 28, 2016

    Mais um texto maravilhoso…que nos delicia nas viagens das tuas palavras. Obrigadoooooooo Susana

  • Anónimo
    Janeiro 9, 2017

    Muitos parabéns… adorei tudo o que li até ao momento…. beijos e que continue sempre assim!!

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