Pernas bambas.

As franjas da manta enrolam-se com facilidade.
Prendem-se nas minhas pernas dobradas,
Marcas de nódoas negras, sacrificadas.
Espanta-me que se enrosquem umas nas outras e me levem nisso.
Nisso de nos enrolarmos uns nos outros.
Estranho a felicidade deles.
Daqueles que se encontram enrolados e que fingem.
Pedras soltas de uma calçada portuguesa esburacada.
Caminhos de mantas e de franjas e de pessoas.
Tudo enrolado, numa mancha negra de falsa esperança.
As franjas soltam-se.
As vidas seguem. Lá vão fingindo.
Porquê cair neste luto de acreditar no bem?
De acreditar nos outros?
Acabo sempre por sacrificar mais uma perna.
Não caio mais nisto de querer desenrolar-me.

Viro-me para o lado.

Deixem-me aqui. Antes viver enganado.


Sem tags 0 Comentários 3

Ainda não tem comentários.

O seu comentário